Abertura da Temporada 2015


13 de Março de 2015 - 21h

TEATRO ADEMIR ROSA - CIC

regência: Jeferson Della Rocca

PROGRAMA

W. A. Mozart

Abertura da Ópera “As Bodas de Fígaro”

G. Rossini

Abertura da Ópera “O Barbeiro de Sevilha”

S. Prokofiev

Sinfonia “ Clássica”n.1 , Op.25

Allegro, Larghetto, Gavotta: Non troppo allegro, Finale: Molto vivace

Intervalo

F. Mendelssohn

Concerto n.2 para Violino em Mi menor, Op.64

Allegro molto apassionato, Andante, Allegretto non troppo, Allegro molto vivace

Solo: Daniel Guedes

A Camerata Florianópolis selecionou para este programa um vibrante programa, que tem início com duas das mais conhecidas aberturas de operas: Abertura da opera As Bodas de Figaro, de Mozart, e a Abertura da opera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini. Na sequencia, executa a Sinfonia “Classica” No 1 de Prokofiev.

Sergei Prokofiev, nascido em 1891, começou a compor logo aos cinco anos de idade. Mais tarde, no conservatório de São Petersburgo, estudou com os grandes compositores russos da época, como Rimsky-Korsakov. Apesar dos alunos naquele conservatório não terem que estudar os compositores vienenses clássicos, o professor de regência de Prokofiev aconselhava o estudo desse repertório. Desse modo, o jovem compositor sentiu-se impelido a compor sua primeira sinfonia em um estilo composicional próximo ao de Haydn (não só em termos musicais, mas também o espírito inovador com que ele trata suas composições) fazendo-a assim ao estilo clássico, corroborando o seu subtítulo. Além disso, ele usou esta obra como um exercício de composição fora do piano, já que como pianista, ele desenvolvera o hábito de compor ao teclado.

Prokofiev começou a trabalhar na Sinfonia Clássica em 1916, terminando poucas semanas antes da Revolução de Outubro, em 1917. Esta se tornou uma de suas mais populares e acessíveis obras desde 1918, em sua estréia, onde foi classificada até como “superabundância de barulho” e “orgia de sons dissonantes”. Enquanto Prokofiev segue a procedimentos clássicos de construção musical, ele usa exaustivamente uma sonoridade com conteúdo dissonante bem presente, com um tratamento diferente de recursos instrumentais, apesar de estar na formação de orquestra clássica. No vivo Allegro, em forma sonata, os seus dois temas são razoavelmente clássicos, mas a maneira em que são trabalhados, com nuances de dinâmica e a variada orquestração, aponta para o futuro. No Larghetto, a graciosa e elegante melodia de abertura soa quase nostálgica, ao passo que o registro extremamente agudo das cordas cria a sonoridade característica de Prokofiev. A Gavotte é temperada com harmonias arrebatadoras, enquanto o Finale, marcado Molto Vivace, possui um ímpeto bastante enérgico.

O Concerto Op.64 de Mendelssohn é, sem dúvida, um dos mais populares concertos para violino. E é, igualmente, um exemplo de como um sentimento "romântico" intenso pode estar perfeitamente combinado à clareza da forma "clássica" e a recursos restritos. Para escrevê-lo, Mendelssohn buscou orientaçõs técnicas com o amigo Ferdinand David, spalla de sua Gewandhaus Orchestra, e a quem o concerto acabou sendo dedicado. David foi também o solista da estréia, a 13 de março de 1845, sob a regência de Niels W. Gade.

Contudo, devido a uma grave doença, Mendelssohn acabou impossibilitado de assistir à apresentação, vindo a ouvir seu concerto um mês antes de seu falecimento, em 3 de outubro de 1847, soberbamente executado pelo grande Josef Joachim.

O primeiro movimento mostra duas inovações: a entrada imediata do solista com o tema principal, sem que a orquestra o expusesse preliminarmente e a inserção da cadência antes do retorno do tema principal em sua própria tonalidade, e não perto do final. Igualmente inovadora foi a forma como Mendelssohn uniu os movimentos, sem pausas. Aqui parece ter ouvido os conselhos do amigo David, que experimentara este efeito em seu Concertino para trombone. Em mi menor, o violino traz apaixonadamente o tema principal do primeiro movimento. Segue-se um tutti, ao qual se une o solista. Daí, enquanto o violino mergulha num demorado sol grave, os clarinetes e as flautas apresentam um calmo e contrastante tema em sol maior. Um desenvolvimento conduz a uma completa cadência que não é deixada à escolha do solista. Essa é a ponte para a reentrada do tema principal em mi menor, tocado pela orquestra sob o desenrolar de figuras arpeggio executadas pelo solista. A melodia original do clarinete e da flauta reaparece calmamente em mi maior. O tempo acelerado, porém, encerra o movimento na tonalidade menor original. Do acorde final do movimento anterior, uma única nota si é sustentada pelo fagote. Ela se eleva, junta-se a outras, e passa para dó maior, no qual o violino serenamente executa o tema principal do segundo movimento. Segue-se uma seção mais agitada e então retorna de forma modificada a abertura. O segundo movimento se encerra como começou: em dó. Agora, o violino começa a "meditar sonhadoramente" em lá menor, em vez de desencadear o esperado finale rápido. Entretanto, este chega em mi maior com inconfundível ênfase dos trompetes e tímpanos. Um tema galopante para o solista e outro levemente mais afirmativo (novamente pelos trompetes e tímpanos) fornecem o material principal com o vigor e a delicadeza exigidas do solista em música rápida e empolgante.

Daniel Guedes

Considerado um dos mais importantes músicos brasileiros de sua geração, Daniel Guedes vem se destacando como um músico versátil, atuando como violinista, violista, camerista, professor e regente. Carioca, nascido em 1977, Daniel iniciou seus estudos de violino aos sete anos com seu pai e logo ingressou no Conservatório Brasileiro de Música. Em 1991 ganhou bolsa de estudos da Capes para estudar em Londres, tendo sido aluno de Detlef Hahn na Guildhall School of Music durante um ano. Posteriormente cursou bacharelado e mestrado na Manhattan School of Music de Nova York, na classe de Pinchas Zukerman e Patinka Kopec no Pinchas Zukerman Performance Program, com bolsas da Vitae e da Capes. Estudou música de câmera com Sylvia Rosenberg, Isidore Cohen e Arnold Steinhardt e regência com Glen Cortese, Pinchas Zukerman e Mika Eichenholz. Foi vencedor dos concursos Jovens Concertistas Brasileiros (1991), Bergen Philharmonic Competition (1998) e Waldo Mayo Memorial Award (2000), prêmio este que lhe valeu um concerto no Carnegie Hall de Nova York tocando o Concerto n°1 de Max Bruch.

Desde os 10 anos Daniel Guedes vem atuando como recitalista e solista das principais orquestras brasileiras e também nos EUA, Canadá, Inglaterra, Noruega, Itália e América do Sul. Atuou como regente de algumas das principais orquestras brasileiras e gravou diversos CDs.

Daniel é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de lecionar em importantes festivais de musica. O crítico de música Carlos Augusto Dantas, do jornal Tribuna da Imprensa o considerou como “o Nelson Freire do violino”. O Jornal do Brasil o considerou como um dos destaques do ano de 2003 e “um dos principais violinistas de sua geração”.

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